terça-feira, 8 de março de 2011
A tempestade.
Escuto a chuva cair, seu som faz com que todos os meus sentidos relaxem. Minha vontade é de caminhar pelas ruas e sentir a água escorrer pelo meu rosto, me trazendo alívio. Mas me amedronta o fato de que algo tão calmo, possa se transformar em medo constante. Sua força capaz de destruir tudo que passe por sua frente. Eu gosto desse perigo...
E é isso que acontece... O medo chega, o medo te envolve. Meus pulmões esvaziam veemente com a força que meus gritos são soltos no meio do nada, no meio da tempestade. Eu sinto toda a fúria aparecendo diante de mim, eu sinto a violência tomando seu lugar. E por um momento, sinto que faço parte disso, que faço parte de todo ódio existente. Eu grito, pulo e chuto a fim de botar tudo que me agride para fora.
Após o fato, a paz volta a reinar, preenche de maneira satisfatória. Nada melhor que expulsar todos os demônios que te perturbam. Nada mais gostoso que colocar tudo que há de negativo em uma lata de lixo.
A calmaria é ao mesmo tempo seu pior pesadelo. Teu alívio é o teu tormento. Apenas importa saber lidar com isso. Saber lutar contra você mesmo, contra o que sente, contra o que te aflige. Leva tempo para aprender isso, mas quando o momento chega, é satisfatório.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Anything.
domingo, 6 de março de 2011
O último

Por romanceemapuros
Missão não-cumprida.
E foi falhando na tentativa de salvar o romance de seu eterno apuro que me descobri inapto a viver com a cabeça leve. Quanto mais fundo cavamos em busca de significados perdidos, mais difícil e utópica se torna a nossa volta para a superfície. O podre se apega a nós, nos persegue, nos tira a razão e a infinita corrida em direção à luz nos faz perceber em profundidade que estamos TODOS – sem exceção – perdidos como náufragos ao mar. E a luz, sempre à frente, inalcançável, guiando-nos pelo seu trajeto torto e cheio de armadilhas.
Felizes os ingênuos, os burros, e os filhos-da-puta.
Percebo o peso da idade quando sinto em minha mente a presença de cada vez mais pensamentos aos quais eu não posso – ou não consigo – dar vazão. Sempre tive facilidade na hora de traduzí-los em parágrafos, mas esse artesanato leva tempo, é cansativo e, certas vezes, quando finalmente deglutimos um assunto, já somos atropelados pela urgência de uma vida que somos obrigados a viver, do abrir ao pregar dos olhos. A vida passa fulminante enquanto escrevemos sentindo e avaliando o peso de cada palavra. Incapazes de expressar mazelas e exorcizar demônios criados por nós mesmos, adoecemos em lenta morte, infeccionados pelos nossos próprios defeitos.
Escrever aqui foi o que me impediu de fechar os olhos a essa luz. Esbravejar por escrito – mesmo que para destinatários que desconheço – é confortante, justamente quando não me serviam mais as opiniões sensatas. Digo isso porque, afinal, lá no fundo, a gente sempre sabe quando tá fazendo merda. E é nesse ponto que eu discordo de quem diz que somos, essencialmente, bons e puros de espírito. Na verdade, compactuo com a hipótese de que, se não exercermos controle firme sobre nossos pensamentos e atitudes, transformamo-nos em nada mais do que o lodo do lodo. O erro está na nossa alma, e cada descuido é um curativo para as mais-de-mil chagas que se espalham por sua superfície.
Descobrir-se imperfeito, defeituoso e incapaz (e escrever sobre isso) é o que me impede de desmoronar. Essa obra inacabada que todos somos precisa de andaimes, estacas e apoios para se manter de pé. Família, amigos, músicas, drogas… usamos o que temos ao nosso alcance, embora saibamos que jamais estaremos prontos. Jamais.
Viver é perigoso. O mundo é veloz, cruel, e cheio de arestas. Só está a salvo quem está morto.
Sobre o amor.
Eu não tenho certeza de muita coisa, há aspectos nessa vida que ainda me deixam completamente perdida. Mas eu achei você, achei a minha certeza, o meu equilibrio, a minha paz, minha luz, meu pequeno amor. Como um inusitado tapa na face, foi assim teu surgimento em minha vida. Mas o tapa não é bom, ele machuca, completamente diferente da tua chegada. Um estalo de felicidade, calmaria e satisfação...
Uma coisa é fato: complicações em nosso caminho vão aparecer, sofrimento, dor, mágoa. Não que eu queira que isso aconteça, mas é que eu sei que o que vamos viver, vai ser, de tantas formas, mal interpretado por muita gente maldosa e sem coração.
Mas quer saber? Eu não ligo. Eu não me importo. Eu tenho você comigo. O presente mais precioso do mundo, é meu! O resto? Que fique de lado.
Não me venha com desculpas.
Eu estou feliz, completa e sei o que é certo, dessa vez. Dessa vez eu realmente sei o que eu quero pra mim, porque você precisa vir e abalar tudo que eu tinha em mente? Eu não vou jogar pro alto a minha felicidade por um erro.
A minha felicidade está comigo, está perto, é presente.
Você foi só um passatempo, que vai ficar no passado.
terça-feira, 1 de março de 2011
Runaway.
Qual é a saída da sua zona de conforto (lê-se inferno), sabendo que não há mais lugar pra correr? O que te resta? O que você faria?
É como se aquilo se virasse contra você. Como se não houvesse mais os reais motivos. É triste saber que no seu cantinho não existe mais vida e alegria, não pra você.
Isso dói, dói demais. Machuca, deixa feridas.
Preciso sair daqui, preciso esquecer. Preciso apagar da memória.
Mas me diga, qual seria a saída mais válida? Se é que ela exista.